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Cooperação Científica e Tecnológica entre Itália e Brasil

A cooperação científica e tecnológica é de grande importância para os dois países, considerando os laços que unem Italia e Brasil e os importantes interesses econômicos baseados na inovação tecnológica. A cooperação científica e tecnológica é baseada em dois componentes, industrial e acadêmico.

 

  • Cooperação Industrial

Algumas empresas italianas de alta tecnologia criaram empresas brasileiras que competem no mercado graças ao valor agregado da inovação tecnológica. Dentre as principais, podemos citar a STELLANTIS, nascida da fusão entre os grupos Fiat Chrysler e PSA, TIM, ENEL, LEONARDO, LUXOTTICA, CHN Industrial.

LEONARDO contribui para o desenvolvimento do Brasil há mais de quarenta anos, fornecendo ao CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais) seus radares meteorológicos. Além disso, sua controlada Telespazio está presente desde 1997. Ao longo dos anos, também com a construção de uma empresa local com sede no Rio de Janeiro, tornou-se um dos principais provedores brasileiros de serviços via satélite. A Telespazio Brasil também contribuiu para o sucesso do programa brasileiro SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas), que em 2017 lançou um satélite de telecomunicações de uso duplo.

Algumas empresas instalaram centros de pesquisa no Brasil, como a STELLANTIS, que montou o Tech Center, uma evolução do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Giovanni Agnelli. A Stellantis também está estruturando o programa BIOELECTRO no Brasil, cujo objetivo é desenvolver o veículo híbrido brasileiro, que combina o sistema elétrico com o uso de etanol. A estratégia da Stellantis é articular um ecossistema de inovação, reunindo parceiros de universidades, fornecedores, institutos de pesquisa, incubadoras, startups, entre outros, para desenvolver soluções que possam ser implementadas e fabricadas no Brasil.

Outros centros de pesquisa são o PIRELLI-Centro de pesquisa e desenvolvimento, em Santo André, e a Prometeon, empresa especializada na produção e comercialização de pneus da marca PIRELLI, nascida do spin-off da divisão industrial de pneus da PIRELLI Tyre, que  abriu dois centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, onde pesquisadores e engenheiros aliam conhecimento consolidado à criatividade de jovens e startups.

O ENDESA-Centro de Monitoramento e Pesquisa é o centro de pesquisa em energia vinculado à Enel, que por sua vez estabeleceu seu Centro de Pesquisa Inovação e Desenvolvimento (CRISE), no Rio de Janeiro, e o Centro de Excelência do Grupo Prysmian, em Sorocaba, São Paulo.

 

  • Cooperação acadêmica

As Universidades italianas é muito ativo na proposição e no desenvolvimento de políticas de cooperação com o mundo científico brasileiro por meio da estipulação de acordos de cooperação científica. Existe uma cooperação sólida e crescente entre as universidades italianas e brasileiras que abrange as várias áreas do conhecimento e que segue interesses gerais e específicos. O mapeamento de convênios entre universidades e centros de pesquisa italianos e brasileiros é uma operação complexa dependendo da variedade de partes contratantes (Reitoras, Departamentos, Institutos, projetos individuais e / ou docentes, etc.), de sua natureza dinâmica, do perfil do tempo (data de ativação, expiração, renovações). Os acordos gerais, tipicamente entre universidades, são frequentemente memorandos de entendimento relativos à mobilidade de investigadores e estudantes, na perspectiva do desenvolvimento de projectos comuns. Em todos os casos, a questão dos recursos financeiros é central, muitas vezes é declarado que os acordos não são onerosos para as partes que buscarão fontes de financiamento ad hoc. No caso de mobilidade dos pesquisadores, normalmente é especificado que as despesas de viagem são custeadas pela Universidade do pesquisador e as despesas de acomodação são suportadas pela instituição de acolhimento. No caso da mobilidade estudantil, muitas vezes é especificado que estão isentos de propinas, já pagas na universidade de origem. A disponibilidade de recursos as vezes limita a implementação desses acordos que, do lado brasileiro, geralmente contam com o apoio de entidades estatais e governamentais, enquanto, do lado italiano, os recursos financeiros dos diversos programas são geralmente suportados pelo orçamento das universidades. Os acordos entre departamentos / institutos da Itália e do Brasil focam em projetos de pesquisa conjuntos e em mobilidade, freqüentemente enquadrados em projetos definidos e financiados.

A lista dos convênios comunicados pela Universidade e pelo CNR está disponível no site do CINECA http://accordi-internazionali.cineca.it. Do início do 2007 até o momento, existem cerca de 1000 convênios entre universidades e centros de pesquisa italianos e brasileiros, 200 dos quais foram assinados no triênio 2018-20. Esses convênios abrangem todas as macroáreas do conhecimento: Ciências Físicas e Engenharia (PE), Ciências da Vida (LS) e Ciências Sociais e Humanas (SH).

 

  • Acordo de Mobilidade Confap Itália

A experiência da rede Ciência sem Fronteiras Itália (SSFI) foi a base para a constituição de uma rede de 19 membros, 18 Universidades e 1 Centro de Investigação, e com delegação à Universidade de Bolonha que, em 2017, assinou com o CONFAP, o Conselho Nacional de Fundações de Amparo à Pesquisa, convênio denominado Mobility Confap Itália (MCI). Este acordo (http://www.mci.unibo.it/en; http://confap.org.br/news/mobility-confap-italy-call-mci/) apóia a mobilidade em nível de pós-graduação (Mestrado, Doutorado, Pós-doutorado) para todos os setores científicos, Ciências Sociais e Humanas (SH), Ciências Físicas e Engenharia (PE), Ciências da Vida (LS). Em particular, visa apoiar a colaboração efetiva entre o CONFAP e a rede MCI para promover a cooperação científica e tecnológica entre os dois países por meio da mobilidade.

Do lado brasileiro, a convocatória anual é lançada pelo CONFAP em nome das 22 FAPs que aderem ao acordo, enquanto do lado italiano as bolsas são disponibilizadas pelas universidades individuais participantes da rede MCI. Os candidatos italianos que participam de doutorados sanduíche, mestrado e pós-doutorado devem estar matriculados em uma instituição da rede e podem se inscrever para um período de pesquisa compatível com seu nível acadêmico. Os candidatos brasileiros devem primeiro entrar em contato com uma das universidades italianas da rede e solicitar uma carta de aceitação. Em seguida, devem se inscrever no CONFAP, para obter uma bolsa concedida pela FAP competente para o território onde o candidato reside.

Até agora, foram três edições da convocatória (2017, 2018, 2019).